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Estudo de cultivar de soja identifica diferença de até 38 sacos por hectare em uma mesma localidade

Estudo de cultivar de soja identifica diferença de até 38 sacos por hectare em uma mesma localidade

Pesquisa foi detalhada pela Fundação Pró-Sementes, Sistema Farsul e Bayer e apontou desempenho de 39 cultivares em oito locais

O estudo das cultivares de soja da safra 2019/2020, divulgado nesta terça-feira (07/07) pelo Sistema Farsul e Fundação Pró-Sementes, permitiu identificar quais sementes produziram melhores resultados em condições climáticas adversas no Rio Grande do Sul. A pesquisa, que analisa o desempenho de 39 cultivares em oito locais de três microrregiões sojícolas, é uma ferramenta para que os produtores possam escolher a variedade com o desenvolvimento mais adequado para a sua situação de plantio, evitando perdas de produtividade. Foram avaliados dois períodos distintos de semeadura.

De acordo com o levantamento, a maior diferença de produtividade entre cultivares em uma mesma região ficou em 38 sacos por hectare. O resultado foi observado em Vacaria, local que alcançou os melhores índices do estudo. Isso significa que um produtor que opta pela cultivar mais produtiva ganharia R$ 3.610,00 a mais por hectare do que aquele que optasse pela variedade de pior desempenho para aquele local.

As condições climáticas da safra 2019/2020 causaram uma grande amplitude nos resultados obtidos. A região de Vacaria chegou a registrar 108 sacos por hectare, enquanto outros locais, como São Gabriel, não chegaram a obter mais do que 42 sacos por hectare. Isso se deve às variações, como excesso de chuva em outubro, que propiciou o desenvolvimento de doenças fúngicas, e estiagem em dezembro e de fevereiro a maio.

Segundo a coordenadora de pesquisa da Fundação Pró-Sementes, Kassiana Kehl, embora os resultados da última safra tenham sido inferiores de uma forma geral em comparação com a média dos últimos anos devido a fatores climáticos, o estudo forneceu informações importantes: “foi uma oportunidade para avaliar o desempenho das cultivares, tanto em termos produtivos quanto ao comportamento frente a doenças fúngicas relacionadas ao solo, e desenvolvimento frente a altas temperaturas e estresse hídrico. Para quem pretende usar o estudo como ferramenta, é importante ressaltar que não basta ao produtor observar a cultivar que obteve a maior produtividade na sua localidade. É necessário analisar quais as sementes apresentaram um desempenho consistente na região, para ampliar as chances de obter um resultado favorável com o plantio”, avisa.

O presidente do Sistema Farsul, Gedeão Pereira, destaca que o estudo se torna ainda mais relevante em um cenário de dificuldades e perdas em função do clima: “Com os preços de soja que temos agora, se tivéssemos tido uma safra cheia o produtor rural estaria satisfeito. Infelizmente, não tivemos. Precisamos de mais segurança e este trabalho contribui com informações importantes para tomada de decisão, numa realidade em que temos um estado com cenários bem distintos”, afirma.

O superintendente do Senar-RS, Eduardo Condorelli, afirma que o estudo está em sintonia com a missão do Senar-RS de levar as principais inovações tecnológicas ao conhecimento do produtor rural e orientá-lo na transformação das informações em produtividade e rentabilidade: “Não existe tecnologia ruim, mas existe tecnologia mal aplicada. É a oportunidade de os produtores terem acesso à melhor tecnologia, que é aquela que funciona na sua realidade, tendo como base critérios técnicos e científicos”, ressalta.

O estudo é uma realização da Farsul e Fundação Pró-Sementes, e contou com o patrocínio do Senar-RS e da Bayer. Ele pode ser acessado endereço neste link . A Farsul distribuirá ainda aos Sindicatos Rurais a publicação impressa dos resultados a cada safra.

Confira o vídeo de lançamento do ECR Soja 2019/2020

Edição da Expointer deste ano é cancelada

Edição da Expointer deste ano é cancelada

Decisão foi tomada em comum acordo entre governo e entidades organizadoras

A maior feira agropecuária a céu aberto da América Latina não terá sua edição de 2020. A pandemia do vírus Covid-19 levou os organizadores à suspensão do evento neste ano. Em reunião, realizada por videoconferência na tarde desta quinta-feira (2/7), a Farsul, juntamente com a Secretaria da Agricultura Pecuária e Desenvolvimento Rural, Prefeitura de Esteio, Simers, Fetag-RS, Ocergs e Febrac decidiram pelo cancelamento da Expointer deste ano.
O presidente do Sistema Farsul, Gedeão Pereira, classifica como amarga a difícil decisão, mas necessária. “Uma Expointer sem público é melhor que não exista”, afirmou ao lembrar que a cada edição circulam pelo parque cerca de meio milhão de pessoas. Gedeão destaca que mesmo tomando todas as medidas de proteção possíveis, o risco de contaminação seria muito grande. “As pessoas são muito importantes e as suas vidas fundamentais”, ressalta.

Ouça a manifestação do presidente do Sistema Farsul, Gedeão Pereira.

 

Variação cambial impacta em indicadores do agronegócio

Variação cambial impacta em indicadores do agronegócio

IICP e IIPR registraram alta em maio por influência direta da taxa de câmbio

A variação de quase 6% na taxa de câmbio influenciou diretamente nos custos de produção e nos preços dos produtos agropecuários no mês de maio. Conforme relatório divulgado nesta quarta-feira (1/7), pela Farsul, o Índice de Inflação dos Custos de Produção (IICP) registrou alta de 1,78%, enquanto o Índice de Inflação dos Preços Recebidos pelos Produtores Rurais (IIPR) cresceu 7,26%.
No caso dos custos de produção, além do impacto do câmbio, a recuperação do preço do petróleo também colaborou no resultado. A variação cambial vem acelerando o IICP no acumulado do ano (3,64%) e em 12 meses (3,41%). Comportamento diferente do IPCA que tem queda de 0,16% no acumulado no ano.
A tendência é que o indicador siga em alta nos próximos meses, especialmente em relação ao comportamento do preço do petróleo. Como a taxa cambial também deve permanecer alta, o produtor deve dar especial atenção aos custos de produção em 2020.
No caso do IIPR, outro fator também teve forte influência, a estiagem. O acumulado do ano registra 23,02%. Em 12 meses, o indicador cresceu 42,59%, chegando próximo ao recorde registrado durante a seca de 2012. A alta cambial garantiu o preço interno das commodities que se mantiveram abaixo de 2019 durante o mês de maio no mercado internacional.
Na comparação com o IPCA Alimentos, o IIPR acumulado em 12 meses tem valorização mais acelerada. Além da taxa cambial estar em um patamar historicamente alto, valorizando os preços agrícolas, a baixa da atividade econômica no país, reflexo do distanciamento social no combate ao Covid-19, afeta muitos produtos que compõe o IPCA Alimentos.

Prejuízos com a seca representam 7,36% do PIB do estado, aponta Farsul

Prejuízos com a seca representam 7,36% do PIB do estado, aponta Farsul

No total, foram R$ 36 bilhões em perdas pela estiagem no agronegócio

A estiagem que atingiu o Rio Grande do Sul não causou prejuízo apenas ao produtor rural, mas impactou em toda economia gaúcha. Levantamento realizado pelo Sistema Farsul aponta que os R$ 36 bilhões de perdas causadas pela seca significam 7,36% do PIB do estado. Os dados foram divulgados nesta segunda-feira (22/06) pela Federação em videoconferência com jornalistas.
Os números não são baseados apenas na comparação com os resultados de 2019, mas sobre a projeção de crescimento para 2020, apresentados pela Farsul no final do ano passado. A estimativa era de um aumento de produção que garantiria uma safra recorde que colaboraria num crescimento de 3,14% do PIB gaúcho. Somente em relação à 2019, a retração é de 1,6%.
O presidente do Sistema Farsul, Gedeão Pereira, comenta que para o agronegócio, os efeitos da seca foram muito mais prejudiciais do que a pandemia do Covid-19. “O agronegócio não teve queda em relação a Covid, na verdade ele nunca parou. Mas, o problema da colheita em virtude da seca trouxe números desabonadores que tiveram impacto negativo na economia do Rio Grande do Sul”, relata.
O resultado só não foi pior porque houve um forte aumento de preços das culturas que registraram perdas, como a soja. Destaque também para o arroz, que teve aumento de produção e preço. Só o cereal foi responsável por reduzir a queda em R$ 2,2 bi. Proporcionalmente, já que a produção vem crescendo ano a ano no estado, o resultado é semelhante as perdas nas secas de 2005 e 2012.
O economista-chefe da Farsul, Antônio da Luz, explica que o resultado não representa apenas um retrocesso em relação a produção do ano passado, “Tínhamos uma expectativa de crescimento para 2020. Não só não vamos ter, como também vamos perder. Esses 7,36% do PIB demonstram, mais uma vez, que temos uma economia altamente interligada entre campo e a cidade. Quando a safra vai bem, a economia como um todo vai bem, por outro lado, quando o agro vai mal, a economia como um todo vai mal”, avalia.
Esse impacto acontece pela relação entre os setores. A perda na safra não significa apenas menos produto ofertado pelo campo, mas também uma redução de investimentos em equipamentos e insumos por parte do produtor. “Não perde apenas a agropecuária, mas indústria e serviços também. É menos dinheiro circulando. Isso demonstra que os governos devem ficar atentos à fragilidade das economias dos municípios que vivem do agro”, destaca Luz.

Valor de referência do leite indica recuperação no RS

Valor de referência do leite indica recuperação no RS

Após queda, projeção é de que preço cresça 8,63%

O Conselho Paritário Produtores/Indústrias de Leite do Estado do Rio Grande do Sul (Conseleite/RS) indicou recuperação no valor de referência do leite em junho. Segundo dados divulgados nesta terça-feira (23/06), a projeção para o litro considerando os primeiros dez do mês é de R$ 1,3721, 8,63% acima do consolidado de maio (R$ 1,2630). Responsável pelo estudo, o professor da UPF Marco Antônio Montoya informa que a variação percentual reflete a recuperação de parte da queda atípica registrada em função da pandemia de Covid-19. O levantamento também constata que o valor real do litro (descontando a inflação) em junho de 2020 está acima da média histórica para o período.
Montoya explica que a projeção dos primeiros dez dias do mês não espelha exatamente o consolidado, mas indica uma tendência a ser seguida. O presidente do Conseleite, Rodrigo Rizzo, frisa a importância do colegiado, que traz mensalmente dados essenciais para nortear o mercado gaúcho e a relação entre produtores e indústrias. “Trabalhamos com projeções que podem ser confirmadas, ou não, ao final de cada período”.
O vice-presidente do Conseleite e presidente do Sindilat, Alexandre Guerra, indica que o mercado está incerto, o que vem se refletindo em alta volatilidade nos últimos meses. No entanto, junho vem tendo oscilação menor e uma certa recuperação. “O desempenho do setor lácteo também depende agora da manutenção dos programas sociais do governo e da recuperação da economia”, projeta Guerra. ¬ Um fator positivo verificado em 2020, citou o representante das indústrias, é a redução de importações em função da desvalorização cambial, o que torna os produtos importados (leite em pó) pouco competitivos para internar no Brasil.
O Conseleite vem estudando formas de agregar ao estudo dados relacionados ao custo de produção dos produtores. Uma das possibilidades já encaminhadas é a de utilização de informações compiladas pela Emater a campo. A ideia, explica o presidente Rodrigo Rizzo, é que a instituição de assistência técnica passe a integrar o quadro do Conseleite com cadeira fixa. Atualmente, a Emater participa como convidada e no suporte à Câmara Técnica do colegiado.
O coordenador da Comissão do Leite e Derivados da Farsul, Leonel Fonseca, destaca a importância desse trabalho de levantamento de dados sobre os custos de produção. Ele lembra que além da Emater, Farsul e Fetag também possuem estudos nesse sentido. Para Fonseca, esses levantamentos irão colaborar numa melhor compreensão do funcionamento de toda a cadeia. “As medidas de distanciamento trouxeram novos custos para a indústria. Mas, os produtores tiveram um fator a mais que foi a seca e levará tempo para se recuperar. Os custos aumentaram muito, estamos defasados em relação a isso”, avalia.
O aumento do valor projetado é comemorado juntamente com uma recuperação no consumo, mas, as incertezas em relação ao comportamento futuro do mercado com a pandemia preocupam. “O mercado do leite reagiu. Aumentou consideravelmente. Voltamos aos patamares normais e alguns itens até acima. O grande problema é o amanhã. Estamos vivendo uma grande interrogação. Precisamos aprender a conviver com isso e sobreviver”, avalia Fonseca. “Interessante ressaltar que mesmo com todo o quadro, continuamos produzindo com qualidade”, conclui.

Farsul considera Plano Safra adequado ao atual período

Farsul considera Plano Safra adequado ao atual período

Seguro Rural e taxa de juros são os destaques para a entidade

Ampliação do seguro rural e redução da taxa de juros são os pontos destacados pela Farsul no Plano Safra 2020/2021 anunciado nesta semana pelo Governo Federal. Para a Federação, ainda que os números não sejam aqueles reivindicados na proposta encaminhada pela CNA ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), eles são os possíveis dentro do atual cenário econômica brasileiro e mundial resultante da pandemia do Covid-19.
O aumento de 30% no seguro rural é comemorado por ser considerado a principal política agrícola pela Farsul, em consonância com a CNA. Como explica o economista-chefe da Federação, Antônio da Luz, “Nós privilegiamos o seguro rural porque acreditamos que crédito não gera seguro, mas seguro gera crédito. Um produtor bem assegurado consegue alavancar crédito. E não apenas nos bancos, mas também em outras operações de crédito que serão cada vez mais comuns”, explica.
O economista usa a situação vivida neste primeiro semestre para ilustrar. “Estamos vivendo um ano com uma estiagem terrível e a diferença entre os produtores que tinham seguro e aqueles que não tinham é enorme. A diferença entre grau de endividamento e comprometimento de fluxo de caixa futuros entre segurados ou não é diferente. Não há dúvida de que temos muito a evoluir nos produtos de seguro, que há muito caminho pela frente para termos um produto que realmente atenda”, comenta.
Como comparação, Luz usa os EUA que gastam em torno de US$ 12 bi ao ano com subsídio ao seguro. “Isso dá mais que R$ 60 bi. Para se ter uma ideia, esse é o valor total gasto pela agricultura brasileira em quatro anos. Incluindo todos os custos do Ministério e estatais”, afirma. Ele lembra que há três anos o valor destinado ao seguro era de R$ 200 mi. No plano atual era R$ 1 bi e para o próximo são R$ 1,3 bi. “Um aumento de 30%. Sob esse ponto de vista, o Plano Safra acertou muito na principal política. Ele tirou dinheiro de banco e botou no seguro. E quanto melhor segurado um produtor estiver, mais baixo serão os juros para ele. Isso já está acontecendo e acontecerá cada vez mais”, avalia.
Sobre a taxa de juros de 6% para os produtores que não se enquadram no Pronaf ou nas categorias de pequenos e médios, o entendimento é que a pandemia acabou por transformar o cenário econômico, não viabilizando o pleito da CNA que era de 3%. “Lá em março, na Expodireto, fizemos um workshop para discutir justamente as diretrizes que iriamos propor ao Governo Federal e saímos com o consenso de que os juros que trariam justiça à situação de mercado seria 3%. Só que de lá pra cá nós tivemos a maior pandemia dos últimos 103 anos que bagunçou completamente a economia brasileira. Tínhamos a expectativa de crescer 3% este ano agora é de queda do PIB entre 5% e 7%”, pondera Luz.
Ele ressalta que nesse quadro, juros mais baixos poderiam significar não liberação e recursos aos produtores. “Atualmente os governos aumentam liquidez, baixam as taxas de juros e os bancos empossam liquidez. E é o que acontece no Brasil. O Banco Central reduz a taxa Selic, compulsório, e os bancos, simplesmente, por aversão ao risco, não emprestam dinheiro”, descreve. E o mesmo aconteceria com taxas mais baixas no Plano Safra, “com os juros muito baixos os bancos não irão querer emprestar. Vai ficar lindo o anúncio, todos irão à êxtase e baterão palmas. Só que depois, na hora de pegar o dinheiro, não vai ter porque os bancos não vão emprestar”, aponta.
Mesmo assim, o economista destaca que houve uma redução de 25% nas taxas de juros, caindo de 8% do atual plano para 6% no próximo. “Poderiam ser menores? Poderiam, só que isso antes da pandemia, agora, com essa situação, eu prefiro mil vezes juros acima do que gostaríamos, mas que o produtor acesse do que um juro baixo que o produtor não consiga”, analisa. Luz reforça a importância do trabalho da ministra Tereza Cristina na construção do plano. “Acompanhamos tudo que aconteceu, todas as negociações. Sabemos do grande esforço que a ministra e sua equipe fizeram ao longo de todo o processo. Se chegou no melhor do que foi possível numa situação de extrema volatilidade e aversão ao risco que é o que estamos vivendo em meio a essa pandemia”, conclui.